Neste ano, durante uma disciplina que estou fazendo na Unesp, onde estamos estudando Narrativas Pós-Dramáticas no Contexto Contemporâneo, com o professor Dr. José Manuel Ortecho, entramos em várias discussões inquietantes, algumas quase polêmicas, que de alguma forma já nos incomodavam, mas que ainda não sabíamos como dar-lhes voz. Uma delas me pegou de jeito e tem me feito pensar muito à respeito. Não sei ao certo como nomeá-la e ainda não tenho uma conclusão definitiva sobre ela. Acho que podemos colocá-la no âmbito das discussões de Arte x Mercado, campo minado das reflexões da sociedade contemporânea e do capitalismo cultural. Em posts futuros tentarei me aprofundar melhor nessa questão, mas por ora, o que interessa é contar como tudo começou durante a aula e como essa inquietação tem me feito encontrar curiosidades as vezes chocantes!
Tudo começou quando eu contei em uma roda de discussões que o cineasta David Lynch tinha feito um filme de propaganda para um perfume, Gucci by Gucci e que eu gostava (ainda gosto).
Pelo tempo escasso que tínhamos discutimos um pouco sobre a validade desse tipo de incursão. Será que ele, um dos maiores representantes do cinema cult havia se vendido? Será que tudo realmente é cooptado pelo sistema e acaba assimilado, perdendo sua força transformadora? Será que tudo está destinado a virar consumo? Mesmo sendo um filme publicitário, há nele um discursso artístico? Em meio à comoção causada pela informação, acabei soltando algo como: "Será o fim se um dia a Marina Abramovich fizer uma propaganda de perfume?"
Bom, no caso dessa pequena propaganda de perfume do David Lynch, talvez não haja mesmo muito o que se discutir, afinal o filme não chega a criar qualquer impressão que se queira aprofundar numa discussão. No entanto, isso me levou a pensar em diversos outros artistas que colaboraram e têm colaborado diretamente com marcas e produtos, em colaborações por vezes inusitadas. Já de cara pensei em Lucrecia Martel e seu curta-metragem "MUTA", concebido em parceria com a grife italiana de roupas MIU MIU. Acabei escolhendo o mesmo como tema para meu seminário na disciplina e aqui estou tentando desenvolver as relações que me ocorreram.
Artistas produzindo para o mercado. Imediatamente somos levados à Andy Warhol, à Pop Art, com suas famosas latas de sopa Campbells e sua divertida e ácida visão da vida norte-americana.
Meu interesse pelo mundo da moda e de como ela pode se configurar também em uma linguagem e uma forma de relação com o mundo, fez com que eu me interasse em mostrar aqui alguns artistas que colaboram com marcas fashions. Acredito que a moda, o pensamento sobre a moda, possa apontar caminhos para a criação de uma subjetividade, possibilitando conexões entre pessoas e grupos. Isso discutirei adiante, me arriscando a relacionar esse pensamento ao que diz Alain Touraine sobre a subjetivação.
A seguir faço uma coletânea de imagens encontradas na web e de coisas que vi por aí, de artistas produzindo material publicitário para grandes marcas e também de designers de moda considerados artistas. Alguns são fantásticos, outros confesso, me deixaram surpreso:
Damien Hirst
Por falar em Alexander McQueen, suas criações transgressoras marcaram a história da moda e recentemente o The Metropolitan Museum of Art, de Nova York, abrigou "Savage Beauty" , mostra que fazia uma retrospectiva do designer inglês que se suicidou em 2010.
Alexander McQueen
O que vem a seguir de fato me causou grande surpresa. Estava eu aguardando uma conexão no aeroporto de Madri, então aproveitei para dar umas voltas pelo dutyfree, quando dou de cara com um rosto conhecido em um anúncio de maquiagem.
Levei um tempo para assimilar que aquele era mesmo o rosto de Cindy Sherman numa campanha para a MAC (para os desavisados é a marca de maquiagens e não de computadores).
Cindy Sherman para MAC
Damien Hirst
Estampas de Damien Hirst para a Levi's
e abaixo capa do artista para a revista TAR
sobre o rosto de Kate Moss e uma campanha
para os óculos de Alexander McQueen
Por falar em Alexander McQueen, suas criações transgressoras marcaram a história da moda e recentemente o The Metropolitan Museum of Art, de Nova York, abrigou "Savage Beauty" , mostra que fazia uma retrospectiva do designer inglês que se suicidou em 2010.
Alexander McQueen
Há ainda seus históricos desfiles como o de tabuleiro de xadrez e o da primavera/verão de 2004 inspirado no antológico filme "A Noite dos Desesperados" (They Shoot Horses, Don't They?, 1969), que retrata um concurso de dança nos EUA da década de 30 em plena recessão. As referências do filme estão presentes na coleção e também no desfile que ultrapassa o senso comum de um desfile de moda e consegue integrar elementos de dança, performance, além é claro, do cinema. Pode-se dizer que McQueen experimentava novas linguagens no âmbito da moda, experimentando e forçando os limites para criar uma comunicação diferenciada com seu público, indo além do vestuário e oferecendo um conceito peculiar de um estilo de vida.
O que vem a seguir de fato me causou grande surpresa. Estava eu aguardando uma conexão no aeroporto de Madri, então aproveitei para dar umas voltas pelo dutyfree, quando dou de cara com um rosto conhecido em um anúncio de maquiagem.
Levei um tempo para assimilar que aquele era mesmo o rosto de Cindy Sherman numa campanha para a MAC (para os desavisados é a marca de maquiagens e não de computadores).
Cindy Sherman para MAC
Então, pensando na trajetória da artista, com seus disfarces e transformações através de maquiagens... Nada mais incrível do que a própria Cindy Sherman fazendo esta campanha! Não concordam?!
(continua)














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