quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Enigmas... Labirintos...

     Em "Moderno pós Moderno" (1986) Teixeira Coelho diz que "enigmas, labirintos: [são] matérias da pós-modernidade" (p.112). E são justamente imagens enigmáticas e uma leitura confinada a um labirinto de sentidos que iremos encontrar no filme de Lucrecia Martel, "MUTA", produzido em 2011. Este curta-metragem dirigido pela cineasta argentina integra um projeto da grife italiana MIU MIU (linha jovem da PRADA), que consiste em patrocinar pequenos filmes realizados por diferentes cineastas mulheres, que tenham diferentes formações intelectuais, estéticas e possam contribuir com diferentes pontos de vista ao realizarem sua leitura do tema proposto em "The Women's Tales" , nome do projeto, que é o amor feminino.
  O curta foi gravado no Paraguai, dentro de um barco e é um experimento de cinema e moda. Nele percebemos uma visão inusitada  e misteriosa em que emergem "criaturas/vestidos", apresentando a nova linha de óculos da grife e roupas da coleção de inverno 2012. Vindo de uma diretora singular como Martel, podemos notar algo que vai além da publicidade e deixa no ar algo de inquietante, na minha visão, um certo humor-negro. Para saber mais de Lucrecia Martel clique aqui e veja outro post que já fiz sobre ela. A seguir, o curta metragem:

MUTA



   Proponho aqui uma análise do curta-metragem uma vez que, como disse acima, acredito que ele contenha algo que ultrapasse a mera campanha publicitária e traz em si traços de uma produção artística ligada a tal contemporaneidade X, ou pós-modernidade, ou modernidade líquida, ou qualquer outro termo que possa definir a época atual.
   A mídia em que podemos acessar o filme é em si mesma o maior exemplo dessa "contemporaneidade X", a internet. Ele está disponível tanto no site da grife MIU MIU, quanto em outros canais exclusivamente de vídeos. O curta é uma experimentação que integra cinema, moda, vídeo e literatura, criando um discurso híbrido, com uma narrativa fragmentada que, no final das contas, não é dada a entender totalmente ao espectador. Podemos perceber que há uma fábula sendo contada, todavia, ela é obscura e mesmo ao final não restam muitos indícios que nos possibilitem um total entendimento daquilo que se passou entre as personagens naquele espaço. Apesar de haver uma história ela é apresentada numa "narrativa enviesada", para utilizar o termo de Katia Canton (2009), que diz que "as narrativas enviesadas contemporâneas também contam histórias, mas de modo não linear. No lugar do começo-meio-fim tradicional, elas se compõem a partir de tempos fragmentados, sobreposições, repetições, deslocamentos. Elas narram, porém não necessariamente resolvem as próprias tramas"(p.15). Esse é o caso de "MUTA".
   Segundo a sinopse apresentada no site do projeto, "The Women's Tales", "MUTA", significa tanto mudo, quanto transformação e é “um retrato belo e enigmático” do universo feminino, cheio de simbolismos de significado oculto e intrigas. O curta emprega uma linguagem de filme noir e a história (fábula), traz figuras femininas denominadas “vestidos/criaturas”, que se encontram para realizar algo que se assemelha muito a um ritual que, todavia, permanece obscuro. Nunca vemos seus rostos o que colabora para o clima de mistério e remete a diversas imagens da arte contemporânea de apagamento da identidade, de diluição do eu, com estratégias de desaparecimento e camuflagens (sobretudo na fotografia e na performance, mas também na pintura, na dança e no teatro), herdeiras da interpretação do "corpo sem órgãos" de Artaud realizada por Deleuze e Guatari, que juntamente com as estranhas imagens kafkianas e beckettianas, influenciaram fortemente a visão de corpo e identidade na arte pós-moderna.

Erwin Wurm (instalação - fotografia)




Marta Soares (dança - instalação)





Gehard Richter (pintura)




 The Jan Family (fotografia)





Samuel Beckett (teatro, literatura, vídeo)





   Esta última imagem de Beckett é do curta-metragem "Film", roteirizado por ele, gravado em 1965 com Buster Keaton, no qual o rosto do personagem principal é insistentemente oculto do espectador.

  

(No final do post há mais imagens relacionadas).



   Voltemos ao "MUTA": Somado a essa recusa de mostrar os rostos das atrizes/modelos, o que as tornam figuras bastante enigmáticas, a movimentação dessas criaturas lembra a de insetos, algumas delas, inclusive, aparecem com máscaras o que torna a imagem ainda mais estranha, levando-nos a aproximá-las das figuras disformes, da hibridização humano-animal-máquina.
   Não há diálogos, pelo menos não em linguagem verbal. As mulheres “vestidos/criaturas” do filme parecem se comunicar através de código morse e podemos perceber que se organizam para um estranha transformação. A primeira imagem do curta mostra pequenas borboletas e libélulas sobrevoando a água e durante o desenrolar da trama há aparições e referências a esses insetos. Seriam essas mulheres criaturas mágicas, retiradas de um conto de fadas? Essa é uma leitura possível. 
   Os créditos do filme informam que o mesmo foi inspirado num poema de Victoria D'Antonio, chamado "Amigas". Numa visita ao site da poetisa podemos perceber sua ligação com os contos de fadas e as histórias infantis vistas de um prisma adulto e crítico. Infelizmente não consegui encontrar até agora o texto citado, portanto, não há como utilizá-lo nesta análise. Mas a impressão causada pelos outros poemas de Victoria e seu site nos deixam indícios para crer que há ali uma fábula com ares de contos de fadas, que talvez no poema esteja mais clara do que na trama criada por Lucrecia Martel. Esta, provavelmente, recontou à sua maneira, criando uma nova narrativa, que como podemos perceber até agora, enquadra-se nos critérios das pós-narrativas contemporâneas. Na pós-modernidade há uma tendência a recontar pequenas histórias, inspiradas muitas vezes em contos ou histórias passadas, como nota Kanton (2009), com o fim das "metanarrativas" (Lyotard), "escorregando e reconstruindo em meio ao mundo onde tempo e espaço se refazem mutuamente, procuramos ressignificar o mundo por intermédio das histórias" (p.39).   
    A sinopse de "MUTA" nos informa ainda que, o filme de Lucrecia Martel é “uma reflexão fascinante e pessoal do poder transformador da feminilidade”, que é a obsessão da própria marca de roupas, MIU MIU. 
    Quanto à obssessão de Martel, esta é relacionada a água. Em seus filmes as histórias geralmente se passam em torno de piscinas e sempre há algo envolvendo a água. Veja também seu curta "Pescados" , de 2010. Questionada sobre isso, a cineasta responde em tom de anedota, que com certeza é algo relacionado à psicanalise. O espaço onde se passa o curta-metragem "MUTA" é um barco navegando por um rio tropical. Podemos perceber que ele é um universo todo em si mesmo e que carrega um grande teor simbólico de isolamento, inconsciente (ligado a água) e é potencialmente um "não lugar", onde decorre um estranho ritual secreto. Esse ambiente isolado, deslocado de sua função barco, coloca-nos mais uma vez num labirinto de sentidos em que podemos tentar fazer nossas conexões. Os blocos interagem entre si e seguindo a sugestão de Teixeira Coelho (1986), o espectador tem que se envolver ativamente com a obra para realizar a justaposição dos mesmos e, quem sabe, tirar daí um sentido. Não que deva haver um sentido único, isso é claro, mas pelo menos o universo criado por Martel nestes 7 minutos, deixa-nos com a sensação de que algo está acontecendo, que há ali qualquer coisa que nos escapa e nos estimula. Uso aqui as mesmas palavras de Teixeira Coelho (1986), ao referir-se a um filme de Godard, "(...) o espectador que se deu ao trabalho de preencher ou de habitar o vazio criado pelas relações não-explicitadas entre os blocos percebe que aquele filme é um enigma da vida, quer dizer, uma imagem da vida."(p.112)
   Experimento que envolve cinema e moda, utilizando ainda a literatura, as artes visuais e sonora, "MUTA" é uma boa oportunidade para refletirmos a produção artística que envolve narrativas, como o cinema, o teatro, entre outras, na contemporaneidade. Vemos entrelaçadas inúmeras referências em um contexto que extrapola os limites do filme puramente publicitário, deixando-nos uma obra experimental de um dos nomes de maior destaque no cinema latino-americano da atualidade, Lucrecia Martel. Onde estão afinal esses limites? E as questões de cultura e mercado? De arte vendável ou arte a serviço do mercado? Essas questões têm me intrigado e pretendo continuar pensando sobre elas e postando aqui no blog.
    Espero que tenham gostado de "MUTA" e do que tentei refletir sobre ele e se tiverem comentários, por favor, deixem aí!


Outras imagens:
 Francesca Woodman


      Ana Mendieta


Roger Ballen


Magnum Photos


Claire Strand



Arja Hyytiäinen



Nathalie Daoust




Goran Djurovic



Bruce LaBruce


E por aí vai...


Vejam este vídeo também, é interessante:




 

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Vendendo perfume!

    Neste ano, durante uma disciplina que estou fazendo na Unesp, onde estamos estudando Narrativas Pós-Dramáticas no Contexto Contemporâneo, com o professor Dr. José Manuel Ortecho, entramos em várias discussões inquietantes, algumas quase polêmicas, que de alguma forma já nos incomodavam, mas que ainda não sabíamos como dar-lhes voz. Uma delas me pegou de jeito e tem me feito pensar muito à respeito. Não sei ao certo como nomeá-la e ainda não tenho uma conclusão definitiva sobre ela. Acho que podemos colocá-la no âmbito das discussões de Arte x Mercado, campo minado das reflexões da sociedade contemporânea e do capitalismo cultural. Em posts futuros tentarei me aprofundar melhor nessa questão, mas por ora, o que interessa é contar como tudo começou durante a aula e como essa inquietação tem me feito encontrar curiosidades as vezes chocantes!
   Tudo começou quando eu contei em uma roda de discussões que o cineasta David Lynch tinha feito um filme de propaganda para um perfume, Gucci by Gucci e que eu gostava (ainda gosto).


   Pelo tempo escasso que tínhamos discutimos um pouco sobre a validade desse tipo de incursão. Será que ele, um dos maiores representantes do cinema cult havia se vendido? Será que tudo realmente é cooptado pelo sistema e acaba assimilado, perdendo sua força transformadora? Será que tudo está destinado a virar consumo? Mesmo sendo um filme publicitário, há nele um discursso artístico? Em meio à comoção causada pela informação, acabei soltando algo como: "Será o fim se um dia a Marina Abramovich fizer uma propaganda de perfume?"
   Bom, no caso dessa pequena propaganda de perfume do David Lynch, talvez não haja mesmo muito o que se discutir, afinal o filme não chega a criar qualquer impressão que se queira aprofundar numa discussão. No entanto, isso me levou a pensar em diversos outros artistas que colaboraram e têm colaborado diretamente com marcas e produtos, em colaborações por vezes inusitadas. Já de cara pensei em Lucrecia Martel e seu curta-metragem "MUTA", concebido em parceria com a grife italiana de roupas MIU MIU. Acabei escolhendo o mesmo como tema para meu seminário na disciplina e aqui estou tentando desenvolver as relações que me ocorreram.
  Artistas produzindo para o mercado. Imediatamente somos levados à Andy Warhol, à Pop Art, com suas famosas latas de sopa Campbells e sua divertida e ácida visão da vida norte-americana.








  Meu interesse pelo mundo da moda e de como ela pode se configurar também em uma linguagem e uma forma de relação com o mundo, fez com que eu me interasse em mostrar aqui alguns artistas que colaboram com marcas fashions. Acredito que a moda, o pensamento sobre a moda, possa apontar caminhos para a criação de uma subjetividade, possibilitando conexões entre pessoas e grupos. Isso discutirei adiante, me arriscando a relacionar esse pensamento ao que diz Alain Touraine sobre a subjetivação.  
  A seguir faço uma coletânea de imagens encontradas na web e de coisas que vi por aí, de artistas produzindo material publicitário para grandes marcas e também de designers de moda considerados artistas. Alguns são fantásticos, outros confesso, me deixaram surpreso:

Damien Hirst


Estampas de Damien Hirst para a Levi's
e abaixo capa do artista para a revista TAR


sobre o rosto de Kate Moss e uma campanha
para os óculos de Alexander McQueen




   Por falar em Alexander McQueen, suas criações transgressoras marcaram a história da moda e recentemente o The Metropolitan Museum of Art, de Nova York, abrigou "Savage Beauty" , mostra que fazia uma retrospectiva do designer inglês que se suicidou em 2010.

Alexander McQueen





   Há ainda seus históricos desfiles como o de tabuleiro de xadrez e o da primavera/verão de 2004 inspirado no antológico filme "A Noite dos Desesperados" (They Shoot Horses, Don't They?, 1969), que retrata um concurso de dança nos EUA da década de 30 em plena recessão. As referências do filme estão presentes na coleção e também no desfile que ultrapassa o senso comum de um desfile de moda e consegue integrar elementos de dança, performance, além é claro, do cinema. Pode-se dizer que McQueen experimentava novas linguagens no âmbito da moda, experimentando e forçando os limites para criar uma comunicação diferenciada com seu público, indo além do vestuário e oferecendo um conceito peculiar de um estilo de vida. 




  O que vem a seguir de fato me causou grande surpresa. Estava eu aguardando uma conexão no aeroporto de Madri, então aproveitei para dar umas voltas pelo dutyfree, quando dou de cara com um rosto conhecido em um anúncio de maquiagem.



  Levei um tempo para assimilar que aquele era mesmo o rosto de Cindy Sherman numa campanha para a MAC (para os desavisados é a marca de maquiagens e não de computadores).

Cindy Sherman para MAC



   Então, pensando na trajetória da artista, com seus disfarces e transformações através de maquiagens... Nada mais incrível do que a própria Cindy Sherman fazendo esta campanha! Não concordam?!

(continua)

  
 
 
 
 
 

Os novos ventos do sul - Lucrecia Martel

    Lucrecia Martel é  diretora, roteirista e produtora de cinema, faz parte da nova onda do cinema latino-americano e tem recebido destaque nos festivais internacionais desde seu primeiro longa "O Pântano" (La Ciénaga, 2001). De acordo com o crítico Joel Poblete, que escreve para a revista de cinema Mabuse, ela é um dos membros do então chamado “novo cinema argentino”, iniciado em 1998. Agora com mais dois longas no currículo, A Menina Santa (La Niña Santa, 2004) e A Mulher sem Cabeça (La Mujer sin Cabeza, 2008), Martel começa a consolidar uma carreira promissora, comparada aos grandes mestres, apresentando um cinema de difícil classificação, onde se integram a linguagem oral, o convívio familiar e o questionamento da realidade.




    Nascida em 14 de Dezembro de 1966, em Salta, Argentina,Martel estudou animação na Escuela Nacional de Experimentación y Realización Cinematográfica (ENERC), Buenos Aires, por alguns anos, além de Ciências da Comunicação. Dirigiu alguns curtas entre 1988 e 1994, entre eles Rey Muerto, em 1995, que fez parte de Historias Breves I e foi vencedor do Festival de Cinema de Havana, na categoria “melhor curta-metragem”. Durante seus estudos, uma das escolas cinematográficas onde estudava, foi fechada por carência de fundos, Lucrecia então, manteve-se como autodidata: “Eu assistia filmes, lia livros, escrevia. Eu era uma mente livre, porque tinha que ser”, disse. Ela é considerada uma artesã de ideias. Em seus filmes tece como uma renda tramas que envolvem sexo, intrigas, tabus e que colocam a fragilidade das relações em jogo, no seu sentido mais profundo. Ela busca inspiração para seus roteiros em sua memória afetiva, não que sejam filmes autobiográficos, todavia, segundo diz a própria diretora em uma entrevista concedida ao programa Zoom da TV Cultura, "é difícil subtrair sua experiência", por isso sempre há um pouco de si mesma em seus trabalhos. Ainda na mesma entrevista Lucrecia Martel fala que sua relação com os atores é de colaboração, pois acredita que o diretor não é o detentor da verdade absoluta no set, afinal, cinema é trabalho coletivo. Como gosta muito de conversar é assim que dirige os atores, procurando passar a eles aquilo que a moveu ao criar o roteiro.
    Como já foi dito é difícil enquadrar a diretora argentina em gêneros, tipologias, redes de afinidades. Expressa, como outros cineastas de sua geração, um virulento desencanto com a Argentina que herdaram da ditadura militar e das crises econômicas. Mas em sua própria definição, Martel se diz muito clássica e com um estilo dos anos 80.


    Seu primeiro longa-metragem, de 2001, La Ciénaga, foi vencedor do Urso de Ouro de Berlim e do Condor de Prata da Associação de Críticos de Cinema da Argentina (2002), além de outros festivais em 2001, como o Festival Internacional de Cinema do Uruguai (melhor primeiro filme), Festival de Cinema Latino-Americano de Tolouse (Grande Prêmio: descoberta da crítica francesa), Festival de Cinema de Havana (melhor diretor).







    Em 2004, escreveu e dirigiu La Niña Santa (A Menina Santa), o qual ganhou da Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes e recebeu menção honrosa dos críticos no Festival Internacional de Cinema de São Paulo, no mesmo ano. Em 2006, foi convidada para compor o júri do Festival de Cinema de Cannes.


     La Mujer Sin Cabeza, de 2008, é até agora o último longa dirigido e escrito por Lucrécia. Produzido pelos irmãos Almodóvar, foi selecionado para a Competência Oficial Do Festival de Cannes 2008 e causou incômodo por lá, sendo motivo de críticas e contestações. Para Carlos Natálio, do Blog www.c7nema.net, durante a apresentação do filme "público, crítica, tudo ficou de cabeça feita num oito, sem perceber nada, sendo que os mais bondosos lá se socorreram do 'velhinho' Antonioni para situar este aparente marasmo aburguesado. Mas se virmos bem, outra reacção não seria de esperar sobre um trabalho que reflecte precisamente sobre os mecanismos da percepção humana e suas dissonâncias com o exterior. Se a sua protagonista, a dado momento, 'perde a cabeça' e tudo o que a rodeia deixa de fazer sentido, qual seria a melhor forma de tudo isso espelhar, senão através de um enorme mapa de desorientação audiovidual?". O longa ainda recebeu premiações de La Academia de las Artes y las Ciencias Cinematográficas de la Argentina, nas categorias Melhor Filme, Melhor Diretora e Roteiro Original.
    Já é possível perceber que em pouco tempo Martel tem construído uma reputação de peso no meio cinematográfico e que sua produção, desde cedo, tem despertado interesse na crítica e também no público, já que seus filmes foram muito vistos em seu país, mesmo sendo considerados de arte. Seu olhar peculiar sobre as relações humanas e a forma como consegue organizar isso em seus roteiros e em suas imagens aviva nossa percepção e nos obriga a encarar certos temas tabus com outra ótica. Há que se destacar que os seus corrosivos comentário sociais se revestem de uma linguagem sofisticada. Humor negro de luxo. Veneno em vidro de perfume.
     Em suas produções Lucrécia Martel também possui alguns curtas metragens, como já foi citado "Rey Muerto" de 1995, e ainda "El 56", de 1988, "Piso 24", de 1989, "Bejos Rojos", de 1991, "MUTA", de 2010, produzido pela grife MIU MIU, e um outro curta-metragem curioso, de caráter bastante experimental, "Pescados", de 2010, que podemos conferir a baixo.

Pescados (2010)



    Para encerrar o post, nada melhor do que citar a própria Lucrécia Martel. Acho muito rico quando ela diz que em cinema "os termos técnicos se aprende muito rápido(...) Gesto e movimento, ter um ponto de vista, podem levar uma vida toda(...) e é preciso manter-se fiel às coisas que te interessam, sem abrir concessões à crítica ou ao público".
Em tudo o mais “La Mujer Sin Cabeza” continua a ser plenamente o cinema de Lucrecia Martel. Os locais exíguos são os espaços de contaminação onde evolui uma certa promiscuidade das relações familiares: o pântano, a piscina, os quartos são os pontos de contacto onde a proximidade adensa pulsões interiores e o contacto dos corpos. Nessa proximidade, a tarefa de auto-descoberta identitária de cada um torna-se mais flagrante.

Fontes: 
http://blogs.estadao.com.br/luiz-zanin/lucrecia-martel/, http://recorte.org/flip2008/autores-estrangeiros/lucrecia-martel/, Zoom TV Cultura http://www.youtube.com/watch?v=zzf_wTW1bGY,  http://www.mnemocine.com.br/cinema/crit/lucreciamartel_carlos.htm, http://omelete.uol.com.br/cinema/ia-menina-santai/,http://www.c7nema.net/index.php?option=com_content&view=article&id=740%3Ala-mujer-sin-cabeza-por-carlos-natalio& .